A Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, revela um potencial surpreendente ao combinar a geração de energia solar com a produção de alimentos. O inovador sistema agrovoltaico, implementado no sertão pernambucano, demonstra como a união de painéis solares e cultivo agrícola pode gerar um impacto econômico de até R$ 10 bilhões anuais. Este projeto pioneiro, desenvolvido pela rede Ecolume em parceria com o MCTIC, abre novas perspectivas para o desenvolvimento sustentável da região, integrando segurança hídrica, energética e alimentar.
O projeto, elaborado em parceria com o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) combina painéis fotovoltaicos com o cultivo agrícola, visando a melhoria da produção familiar.
Os painéis fotovoltaicos instalados também servirão de recipientes para a captação da chuva, além de gerar a energia solar e bombear a água já armazenada para o cultivo de peixes, aves, alimentos e vegetais, tais como verduras, hortaliças e plantas nativas para vários fins bioeconômicos e reflorestamento.
O montante consiste na produção de 130 kg de peixe (R$ 2,6 mil), 750 ovos de galinha (R$ 365), 810 unidades de vegetais (R$ 1,6 mil), 200 mudas de plantas nativas (R$ 3 mil) e mais R$ 2,4 mil anual com a produção de 4.8 mil kWh do sistema de energia solar fotovoltaico.
“Numa simulação simples, se o modelo for replicado numa área maior, de 24 Km² da Caatinga, o que equivale a 10% dos pastos degradados do semiárido, o potencial de rendimento é significativo: 10 bilhões por ano”, adianta Francis, que é climatologista e doutora em recursos hídricos.
Fábio Larotonda, diretor do Programa de Desenvolvimento Científico do MCTIC, comenta que diante dos desafios globais, o Ecolume está desenvolvendo soluções inovadoras baseadas no clima e na rica biodiversidade brasileira, considerando a correta exploração bioeconômica através do sistema agrovoltaico na Caatinga.
“A partir da nossa experiência, a nossa ideia é mostrar à sociedade a possibilidade da segurança hídrica, energética e alimentar através da bioprodução de alimentos e energia no semiárido”, disse.
Nessa estrutura, um tanque com tilápias garante a fertilização da água, que, com parte da energia captada pelas placas, é bombeada e levada para as plantas, criadas em sistema orgânico de hidroponia.
Fonte: Portal Solar